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PAIS

Pais do João, 11 anos

«Pediram-nos para escrever sobre o dia-a-dia com uma criança com PHDA… Nada fácil quando se trata de um filho!

Talvez por desconhecimento, por preconceito ou por “não querer” ver, detetámos muito tarde que poderia haver qualquer perturbação no comportamento do nosso segundo filho. (…) O que mais nos custou, foi perceber que o João tinha uma auto-estima totalmente destruída pelos sucessivos estímulos negativos que recebia. Sem querer, todos contribuímos para esta situação: “João esteja quieto”; “João sente-se direito”; “João tome atenção”; “João… mais uma negativa”!!! Felizmente, o João conseguia “compensar” uma parte desta frustração através das suas fortíssimas competências sociais, o que o estimulava a ir à escola para estar com os amigos..

(…) Mas por si só, a medicação não é «remédio» para tudo! O trabalho com o João é diário, em todos os momentos e circunstâncias. Hoje, percebemos que o João não é «especial» e não tem nenhuma «deficiência» (Graças a Deus). O João, como tantos de nós, precisa ser estimulado e ajudado naquilo em que é menos forte. Só isso! Não é um “drama”, é uma característica!»

Excerto gentilmente cedido pelo pais e autores do livro “Hiperatividade e Défice de Atenção”, Ed.

Verso de Kapa

 

Pais do Guilherme, 9 anos

«Certo dia, num aniversário de família, desculpávamos mais uma vez “Bem, este rapaz hoje está mesmo elétrico”. Um dos presentes, sem papas na língua, acabou por comentar “Mas eu sempre o conheci assim!”. E, pensando bem, era mesmo verdade. A educadora também estava preocupada, ainda mais que tinha um filho com o mesmo problema. “Se os problemas continuarem após a entrada para o primeiro ciclo, não esperem muito tempo, eu esperei demais” - dizia. E não esperámos mesmo, foi avaliado logo no primeiro ano e começou a fazer medicação. Foi evidente que precisava e foi uma boa ajuda. A atenção não ficou perfeita (de todo!) mas a professora conseguiu perceber bem como ele funcionava e comunicamos com frequência quando há algum problema.

Para nós o mais importante é que, em geral, tem conseguido aprender bem e ter bons resultados, mesmo que tenha testes piores por distração. Gosta da escola e parece ter uma boa imagem dele próprio, embora seja muito suscetível a comentários.

(…) Um dos nosso desafios é o tempo gasto no tablet e na consola, tem de ser muito controlado (muitas vezes sobre protesto). Quando fica muito tempo no ecrã parece que acumula energia, fica irritado e fica a pensar demasiado nos jogos. Quando é vedado o acesso, vemos que descobre outras atividades mais criativas como as construções de legos. Por vezes temos de ajudar a dar ideias e, claro, estar disponíveis para brincar com ele também."»

 

Pais do Francisco, 12 anos

«Desde sempre notámos diferenças no nosso filho comparativamente com outras crianças da mesma idade. Tinha uma necessidade enorme de gastar energia, só queria correr pela rua fora…(…). Numa consulta de rotina com a pediatra que o acompanhava desde a nascença, fomos aconselhados a levar o nosso filho a uma consulta de desenvolvimento…Assim o fizemos. Foram feitos vários testes ao nosso filho, aos pais, foi pedida a intervenção do colégio na pessoa da Educadora e no final de todo estes processo de despiste, o nosso filho foi diagnosticado com PHDA.

(…) Ao longo destes 12 anos temos passado por muitas dificuldades mas continuamos a fazer tudo e a dar tudo o que temos para que ele continue a ser acompanhado em todas as frentes, para que se sinta feliz. O dia-a-dia com um filho com esta patologia é extremamente cansativo; é necessário um rigor diário no que toca à organização do seu material escolar para cada dia de escola, se leva todo o material. Se realizou todos os trabalhos de casa corretamente, se leva os materiais extra… Continua medicado, mantém a sua equipa médica que tudo faz para melhorar o seu dia-a-dia, as suas consultas de desenvolvimento, de psicologia, as suas terapias...»

Excerto gentilmente cedido pelo pais e autores do livro “Hiperatividade e Défice de Atenção”, Ed.

Verso de Kapa