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APRENDIZAGENS E RESILIÊNCIA EM TEMPOS DE PANDEMIA

A situação que vivemos coloca às famílias e aos professores e escolas enormes desafios para os quais por razões óbvias não temos respostas eficientes ou aproximadas dos tempos “normais” de que todos já temos saudades. Não esqueço que mesmo nesses tempos “normais” também temos constrangimentos e insucessos, mas, ainda assim, temos uma variável muito importante, a proximidade.

Desde o início da resposta “escola à distância de emergência”, a resposta possível que o esforço gigantesco das comunidades educativas estruturou num espaço de tempo curtíssimo foi clara a assimetria e os riscos de desigualdade para muitos alunos.

E de facto, entre os alunos em maior situação de risco, estão os alunos com necessidades especiais, sobretudo os que necessitam de apoios mais diferenciados sendo que muitas das famílias destes alunos experienciam dias de enorme dificuldade para as quais, apesar dos constrangimentos decorrentes do ensino à distância algum tipo de apoio a alunos e pais, pode ser disponibilizado conforme orientação do Ministério da Educação. 

A verdade é que mesmo contando com o esforço gigantesco de ME, escolas, docentes e famílias para que “não falte a escola” aos muitos milhares de alunos e que merece todo o reconhecimento, a tarefa de trazer a sala de aula para dentro de casa  ideia parece continuar a ser impossível, ou seja, não se consegue transformar um “cantinho” lá de casa numa sala de aula.

Assim e considerando que não existem dois contextos familiares iguais, mais do que tentar a tarefa impossível e errada de mostrar uma receita para os pais julgamos ser possível apresentar alguns princípios orientadores que, adaptados conforme as idades e as circunstâncias de cada contexto familiar poderão dar algum contributo para uns dias tão serenos quanto possível. Dificilmente serão como os desejaríamos, mas crianças e adultos são resilientes e com capacidade de aprendizagem e adaptação.


 

ROTINAS 

 

Rotinas ajustadas à ou às idades dos filhos e das necessidades dos pais, pode não ser fácil, mas as rotinas ainda que com flexibilidade são organizadoras e reguladoras do nosso comportamento e para os mais novos são essenciais. Nestas rotinas incluem-se tanto o brincar como o estudar conforme as actividades e calendários estabelecidos por os professores no âmbito do ensino à distância sendo que naturalmente são diferentes nos dias “sem escola”.

Estas rotinas, com flexibilidade insisto, podem também contribuir para promover maior autonomia nas crianças mais novas “aliviando” a pressão sobre os pais. Eventualmente, sendo possível e estando disponíveis, os irmãos podem ser envolvidos em actividades de grupo e os mais velhos terão um efeito de “tutoria”.

Nesta perspectiva, as propostas de actividade devem ser adequadas na duração e na natureza e tanto quanto possível estimular a autonomia. Porque será uma tentação, é de estar atento aos riscos que uma exposição excessiva das crianças mais pequenas aos ecrãs que, mais do que nunca, são o companheiro do lado.


 

INFORMAÇÃO

 

Parece-nos importante que os mais novos sejam esclarecidos sobre o que está a acontecer levando em conta a idade e natural curiosidade. No entanto, importa ser económico e simples nas abordagens minimizando ansiedade ou medo indefinido que um "excesso" de informação ou a audição de conversas entre nós adultos pode instalar.

Também, no que diz respeito à escola e as suas preocupações tanto da parte do adultos, como das crianças, parece-nos ainda necessário que nós adultos estejamos atentos e desejavelmente serenos pois a própria situação que se vive pode, só por si, ser geradora de alguma intranquilidade e fonte de ansiedade e stresse. Uma dessas fontes de inquietação será a questão da aprendizagem escolar, mas creio que, sobretudo com os mais novos, deveremos ser prudentes e optimistas, terão sempre hipótese de recuperar algo que agora não foi tão “bem aprendido”.

 

INTERLIGAÇÃO

 

É nossa convicção que nestes dias, a grande necessidade, o grande objectivo diria, será manter os alunos ligados à escola, aos professores, aos colegas. Em tempos de isolamento, a ligação é uma ferramenta de sobrevivência para os miúdos e para os miúdos no seu papel de alunos. Essa ligação, terá os suportes disponíveis e tão acessíveis a todos quanto formos capazes e não podemos falhar.

Esta ligação (relação, comunicação, podem ser outras designações) permitirá que a “escola” continue na cognição e na emoção de cada criança, faça parte dos dias confinados e das suas rotinas. Fará parte do “kit de sobrevivência” em tempos difíceis. Claro que esta ligação pode (deve) envolver a realização de tarefas de natureza escolar, curtas, diversificadas, com uma natureza que não exija a intervenção dos “pais-professores” para que possa ser realizada, tanto quanto possível com autonomia.

Nem todas as crianças os têm no seu cantinho.

Estas actividades exercitam competências e podem ser continuadas de forma diferente nos cantinhos de cada criança. Podemos estar seguros de que as crianças continuarão a aprender.

José Morgado

Fontes: 

http://atentainquietude.blogspot.com/2020/04/da-educacao-inclusiva-em-ed.html

http://atentainquietude.blogspot.com/2020/04/e-partir-de-hoje-com-estudoemcasa.html  

Texto publicado no Público

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